A Coragem de Dançar a Vida

 

Estamos vivendo uma crise crônica. Todos falam da crise econômica, não é? Mas tem uma crise que nos ronda que é ainda mais profunda e mais crônica:  a CRISE EXISTENCIAL.

Nesse mundo cada vez mais contaminado – além da contaminação literal de poluentes –  estamos contaminados por emoções, emoções essas que muitas vezes nos atiram em um poço fundo e escuro. Felizmente, ainda podemos ver uma saída lá encima. Felizmente ainda há um feixe de luz que desce e toca o nosso peito. Felizmente a corda, ainda, está acessível, bem alí.

A escalada de volta à luz acontece quando entendemos que essa subida somente pode ser feita por nós, que somente nós podemos iniciar essa jornada de regresso, que somente nós puxaremos essa corda e que ninguém pode faze-lo em nosso lugar. Serão nossos esforços que irão nos trazer  novamente as cores da vida fora desse poço!

Nesse mundo de consumo, o que não falta para consumir são terapias. Parece até que tem uma terapia para cada indivíduo no mundo . Gente se “formando” em um final de semana e além do diploma, recebem um pacote que é uma promessa de acabar com todos os “males” do cliente (sem nem acessar os próprios “males” do terapeuta). Um lindo pacote, um pacote que vem de fora, um pacote externo, INdolor, INodoro, INvisível, INtocável, INexplicável.. um profusão de INs, paradoxais, ficando  faltando  o IN “cereja do bolo”: a INteriorização, o mergulho em si mesmo onde TUDO acontece.

Já estou no caminho terapêutico há alguns anos, sempre estudando e me trabalhando. Houve um momento e uma decisão de escalar o poço. Um momento quanto tudo começou, quando iniciei a minha jornada de volta pra casa: esse momento foi a descoberta da Biodanza.

Desejo partilhar um pouco desse imenso potencial que é a Biodanza, mas imagina uma mãe falando de um filho. Ele será sempre lindo né? Por isso convidei uma aluna pra falar do seu processo. E é essa experiência que partilho abaixo com vocês!

Uma Jornada para o sentir! Por Flavia Belo

“O primeiro contato que tive com a Biodanza foi no curso “Eu Mulher Medicina”, um curso de formação de facilitadoras de círculos de mulheres do Sagrado Feminino, com a professora Érika Mendel. Confesso que, no início, achei um pouco infantil, algo lúdico demais para mulheres feitas, mas eu, ao mesmo tempo, entendia que mexer o corpo podia ser algo bem terapêutico. Até que a professora pediu que ficássemos em pares e dançássemos uma olhando com admiração a mulher diante da outra – olhar nos olhos da outra gerou em mim um incômodo em algum grau de intensidade – e que deixássemos a dança fluir em nós, procurando harmonizar os nossos movimentos com os da mulher à nossa frente. O incômodo do olhar me fez pensar: “afinal, porquê diachos estou com esse incômodo?”, o que, por si só, diminuiu em mim o incômodo  consideravelmente. Fui sentindo que até que era gostoso poder ver o movimento do braço da colega como uma onda e poder fazer com o meu braço a continuidade dessa onda, bem como foi bom sentir vontade de levantar bem alto os meus braços e sentir que a colega assim o fazia de forma fácil e fluida e, porquê não dizer, até prazerosa, já que deixava escapar um sorriso quase gargalhado, o que foi muito gostoso. Assim, fui percebendo meu corpo mais solto, com maior facilidade de se movimentar. A partir daí, fiquei muito curiosa, perguntei porque fazíamos essas danças e algumas das colegas, também alunas da Biodanza, me disseram do que se tratava.

Há vários tipos de vivências nessa dança, a do caminhar, a de roda, a de expressão livre, entre outras. Foi então que descobri que a biodanza se tratava de pequenas “vivências” e que não tinha um “treino” de uma “coreografia” e, mais uma vez, achei super estranho. Se não havia uma coreografia, pra quê servia a Biodanza? Afinal, todas as danças que conheço fazem coreografias para pequenas ou grandes apresentações, ao longo ou ao final do ano. Ao menos era assim que eu entendia a existência de um curso de dança. Mas aí refleti: “Bem, pensar assim é exagero meu, porque claro que há cursos de dança que não visam apresentações por serem apenas expressão corporal terapêutica”.

Foi nesse ponto que cheguei a sentir uma certa vergonha da forma utilitarista, bem típica de mentes consumistas e capitalistas, com que questionei a “serventia” desta dança. E claro está que, se estamos imersos num mundo em que as expressões precisam ter um valor econômico, uma utilidade prática, um “serve para isto” ou “serve para aquilo”, torna-se um desafio captar o valor dessa dança que não tem objetivos imediatistas nesse mundo onde tudo é acelerado a um tal ponto em que não sentimos mais nada, apenas corremos “contra o relógio” e não há tempo “a perder” Pois nos encontramos no frenético mundo capitalista do “tempo [que] é dinheiro”.

Segundo o site Wikipédia, o termo Biodança vem do espanhol biodanza, por sua vez oriundo do grego bio (vida) com o espanhol danza (dança). Literalmente, “dança da vida”,  e que consiste numa integração afetiva baseada em movimentos de dança com músicas cuidadosamente selecionadas que, por sua vez, promovem em nós uma espécie de catarse, através de  encontros não verbais dentro de um grupo.

Fui convidada por Érika Mendel, minha professora do curso de formação de Facilitadoras de círculos de Mulheres, a conhecer e praticar a Biodanza, também ministrada por ela na Senda da Deusa, em Copacabana, Rio de Janeiro. A princípio eu não entendia o porquê de algumas pessoas desabarem a chorar em algumas vivências, achava estranho, até que em uma dessas vivências, tocou uma música em espanhol, cuja letra falava sobre fragilidade do ser, ou algo do tipo, e o grupo estava abraçado e em roda, os corpos fazendo um leve balanço de um lado para o outro, no embalo da música, e eu senti, subitamente, as lágrimas brotarem nos meus olhos sem controle algum, elas vinham e caíam pelo meu rosto, copiosamente e, por fim, eu estava chorando de soluçar. Procurei controlar o volume do meu choro e de olhos fechados entrei em contato com o que eu estava sentindo e quis entender o porquê daquela letra e daquela dança terem evocado em mim tal sentimento. Não obtive resposta, até porque o desejo por respostas é o movimento racional do mundo lá fora, e pensei: “aqui dentro devo parar aqui nesse sentir e apenas isso, sentir”. E esse sentir, creio eu, pode dar ou não acesso a conteúdos do inconsciente, aqueles que, se não eventualmete acessados, irão eclodir, de uma forma ou de outra, em algum momento da vida, e pode ser de forma bem turbulenta e até dolorosa. Nesse sentido, vejo a Biodanza como uma mão que remexe o fundo de um lago e faz seu conteúdo vir à tona para que tomemos consciência dele e, então, por meio da consciência, possamos neutralizar possíveis manifestações mais agressivas de tais conteúdos no nosso dia-a-dia.

Rolando toro, chileno, criador da Biodanza, disse: “ Temos, pouco a pouco, esquecido a importância de coisas tão fundamentais para conseguir uma vida feliz como respirar, caminhar, comunicar nossas emoções e sentimentos, compartilhar, amar… Como dizer, nos esquecemos de sentir. A biodança pretende despertar estas funções inatas do ser humano que estão quase totalmente reprimidas em nossa civilização.

O fato é que, por meio desse sentir, reprimido pela pressa que reina atualmente, eu aprendo a integrar-me a mim mesma, ao outro e ao universo todo, inclusive ao mundo lá fora com suas altas expectativas e exigências, e assim, consigo lidar melhor com a pressão que este mundo nos impõe, entendendo que preciso respeitar meus limites e os dos outros, em busca de uma maior harmonia no convívio com meus semelhantes. Claro está para mim que, assim, não é exagero afirmar que a Biodanza, pelo trabalho constante com conteúdos do nosso inconsciente e pela integração dos seres, consiste na busca por um mundo melhor.”

Então,  coragem para sentir !! Esse é o sentido da jornada!

Temos 2 lindos grupos para te receber! Em Copacabana e no Recreio. Venha você também iniciar essa Jornada para o sentir! Agende a sua aula experimental!

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